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  • Chafic Kallas

Gestão do cuidado nos hospitais

O médico, em sua formação acadêmica, é treinado para fazer diagnósticos e tratar. O centro, portanto, deste treinamento acaba se tornando a doença. Todo esforço é dirigido para descobri-la e curá-la. Não importando o recurso necessário e nem a consequência para o indivíduo por trás da doença. Será que esse deveria ser o centro do cuidado? Será que deveríamos valorizar tanto assim a doença?


Esse paradigma tem trazido problemas graves a saúde. Polifarmácia, tempo de internação prolongado, distanásia, procedimentos invasivos desnecessários e dificuldade na autossustentabilidade das instituições de saúde.


O termo gestão tem sido usado em diversas esferas da sociedade: gestão do conhecimento, marcas, negócios, social, segurança da informação, projetos e hospitalar. Enfim, não tenho a intenção de detalhar conceitos ou diferenças entre gestão e administração.


Mas por que se fala tão pouco em GESTÃO DO CUIDADO?

É possível gerenciar o cuidado? é necessário?


Por exemplo, um idoso interna por uma pneumonia, o médico institui o tratamento habitual mas tem a impressão que a imagem radiológica é muito extensa e já na admissão solicita uma Tomografia de Tórax com contraste na prescrição. Como o setor de imagem estava tranquilo o paciente já foi chamado e realizado o procedimento imediatamente. No dia seguinte, o médico responsável reavalia o paciente e vê no laudo que tem uma imagem suspeita de neoplasia mas a pneumonia está atrapalhando a análise completa e sugere uma nova Tomografia no final do tratamento. No outro dia percebe que a função renal piorou por uma provável nefropatia pelo contraste o que atrasa ainda mais sua estadia no hospital.


Bom, se olharmos friamente, a hipótese diagnóstica e conduta foram corretas mas será que o momento foi o certo? E se ele tivesse apenas tratado a pneumonia e reavaliado o paciente em 48h. Após melhora clínica com antibiótico e hidratação o médico poderia solicitar uma nova radiografia de tórax e confirmando a suspeita inicial solicitaria antes da alta, ou ambulatorialmente, uma nova tomografia que provavelmente confirmaria a hipótese de uma neoplasia. Neste caso além de ter feito um procedimento diagnóstico sem necessidade o paciente teve uma complicação que poderia ter sido evitada.


Quando falamos em gestão do cuidado, pensamos em mais do que simplesmente diagnosticar e tratar. Mas em fazer isso com qualidade e segurança para o paciente. Saber a hora certa de solicitar um exame, atentar para as interações medicamentosas, efeitos colaterais prováveis de uma medicação, além de questões mais simples como a hora do banho, da coleta de exames e das refeições.


Portanto, o principal objetivo de gerenciar o cuidado é fazê-lo com a maior qualidade possível. Para isso precisamos prevenir, detectar e superar alguns problemas segundo Victor Grabois no capítulo "Gestão do Cuidado":

Teremos obtido um cuidado com qualidade se não houver dano ao paciente, se utilizarmos a melhor evidência científica, evitando a sobreutilização ou a subutilização de recursos; se centrarmos o cuidado nas necessidades dos pacientes, e se garantirmos o cuidado no momento adequado e de forma a obter os melhores resultados com o mais baixo custo possível.

Dentro desse conceito, para alcançar o objetivo de qualidade e segurança precisamos fazer a gestão do cuidado e portanto garantir que: medidas de segurança sejam implantadas para prevenir o dano, o conhecimento científico vigente seja efetivamente praticado na instituição através de protocolos clínicos e as necessidades do paciente sejam atendidas antes das necessidades da doença. Dessa forma podemos evoluir para um cuidado de qualidade dentro dos hospitais.


Referência:

Grabois V. Gestão do cuidado. In: Gondim R, Grabois V, Mendes Junior WV, organizadores. Qualificação dos Gestores do SUS. 2. ed. Rio de Janeiro: Fiocruz/ENSP/EAD; 2011. p.153-190.




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